Esta publicação tem por objetivo reconstituir a cronologia da linha de shows da Rede Globo a partir da década de 1970, privilegiando, sobretudo, os programas que ainda possuem edições preservadas. Foram selecionadas pouco mais de cinquenta atrações que, com base em pesquisa bibliográfica e documental, são brevemente contextualizadas e acompanhadas de informações sobre sua situação no acervo da emissora, organizadas conforme a ordem de estreia.
Um dos principais propósitos deste trabalho consiste em apresentar, sempre que possível, o número total de edições produzidas por cada programa. Diferentemente das telenovelas, esse tipo de informação raramente é sistematizado para humorísticos, musicais e demais atrações da linha de shows, razão pela qual sua apuração constitui uma das principais contribuições desta pesquisa.
A investigação foi desenvolvida entre setembro de 2025 e maio de 2026, enquanto a redação deste estudo ocorreu ao longo de junho de 2026.
A realização desta pesquisa contou com a valiosa colaboração de João Antônio Franz e Danilo Rodrigues, aos quais são registrados sinceros agradecimentos.
Registra-se, ainda, um agradecimento especial a Rixa Xavier, redator-chefe do Vídeo Show por mais de vinte e cinco anos, cuja contribuição foi absolutamente fundamental para a resolução de inúmeros desafios relacionados à identificação e à numeração oficial dos programas aqui analisados. Graças ao seu conhecimento e à sua disposição em compartilhar informações, tornou-se possível apresentar, com elevado grau de precisão, grande parte dos dados reunidos neste estudo. Sua dedicação à preservação da memória da televisão brasileira e à democratização do acesso a essas informações constitui uma contribuição de valor inestimável para a pesquisa televisiva. Enquanto parte desse conhecimento permanece restrita, sua atuação sempre se destacou pelo compromisso em colaborar com pesquisadores e interessados na história da televisão brasileira.
Ressalta-se, entretanto, que nenhuma das conclusões apresentadas possui caráter definitivo ou está isenta de eventuais equívocos. O propósito deste estudo é reunir e divulgar, da forma mais criteriosa possível, as informações atualmente disponíveis nos bancos de dados do acervo de entretenimento da Globo.
Também é importante destacar que o acervo jornalístico da emissora — o Cedoc —, distribuído entre as unidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Brasília e Recife, ainda não foi integralmente digitalizado. Consequentemente, é possível que existam materiais preservados que ainda não puderam ser identificados nesta pesquisa.
Entre os conteúdos já digitalizados, observa-se a existência de diversas gravações realizadas diretamente do sinal master — isto é, do material gerado para exibição na programação da emissora —, muitas delas preservando inclusive os intervalos comerciais originais.
Um exemplo expressivo é a gravação da programação de segunda-feira, 9 de março de 1981, data de lançamento da grade daquele ano. O Cedoc conserva a programação completa a partir das sete horas da manhã, registrada diretamente da transmissão, incluindo os respectivos intervalos comerciais. Entre os materiais preservados encontra-se, por exemplo, um capítulo da versão original da novela Plumas & Paetês, obra atualmente existente no acervo de entretenimento apenas em sua versão "DNI", preparada para comercialização internacional.
Como leitura introdutória, recomenda-se a consulta a dois estudos anteriormente publicados sobre o tema, que oferecem a contextualização necessária para a compreensão de diversos aspectos abordados ao longo deste trabalho:
Videotape: uma aventura no Jardim Botânico — estudo dedicado à história do antigo Arquivo de VT (atual Logística de Mídias), aos projetos Quadruplex e Resgate, à formação do Cedoc, aos equipamentos e suportes utilizados pela emissora, às fitas reaproveitadas, ao arquivo paralelo organizado pela equipe do Vídeo Show e a outros episódios relacionados à preservação do acervo da Globo.
Os primeiros anos da Divisão Internacional da Rede Globo — pesquisa sobre a criação do departamento responsável pela comercialização internacional dos conteúdos da emissora, incluindo cronologias das primeiras exibições no exterior, transcrições de catálogos de venda e a relação desse setor com a preservação do patrimônio audiovisual da empresa.
Ainda assim, convém apresentar uma breve contextualização.
Durante a década de 1980, parte significativa das fitas quadruplex pertencentes ao acervo de entretenimento da Globo — que reunia telenovelas e programas da linha de shows e estava armazenado na sede da emissora, no Jardim Botânico — foi reutilizada para a gravação de novos conteúdos. A medida decorreu, principalmente, das restrições à importação dessas mídias, provocadas pelos bloqueios impostos pela Carteira de Comércio Exterior (CACEX).
Em depoimento concedido em 2024, o ex-gerente do Arquivo de VT — atualmente denominado Logística de Mídias e localizado nos Estúdios Globo —, Edson Pimentel, recordou esse período. Segundo seu relato, o processo de reaproveitamento teria sido iniciado por volta de 1982.
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O reaproveitamento sistemático das fitas quadruplex foi significativamente reduzido em 1985 e definitivamente abandonado a partir do segundo semestre de 1987, quando esse formato deixou de integrar a cadeia de produção da emissora. A apuração realizada indica que uma das últimas telenovelas originalmente gravadas em fitas de duas polegadas foi Brega & Chique, exibida entre 20 de abril e 6 de novembro de 1987.
Por fim, cabe antecipar uma das conclusões apresentadas ao longo deste estudo: desconsiderando o caso específico da novela Mandala, o programa mais recente conhecido como perdido em decorrência do reaproveitamento econômico das fitas quadruplex é o Globo de Ouro nº 208, exibido em 26 de junho de 1987.
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