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Um
clima de humor e tensão marcaram as gravações de parte das cenas do
primeiro capítulo da próxima trama das seis da Globo, “Chocolate Com
Pimenta”, que estréia segunda-feira, dia 8 de setembro. Mais de 100
figurantes espalhados pela cidade cenográfica da novela, no Projac,
quase se acotovelavam para ser enquadrados em uma das muitas cenas
festivas da novela de Walcyr Carrasco. Na gravação, que ocupou uma
pequena parte da fictícia Ventura, a interiorana cidade onde se passa a
trama, Elizabeth Savalla e Fúlvio Stefanini roubaram a cena dirigida por
Jorge Fernando. Depois de ensaiarem exaustivamente e repetirem as cenas
dezenas de vezes, a dupla arrancou risadas da equipe técnica e dos
figurantes com os trejeitos excessivos de seus personagens. Elizabeth,
que vive a esnobe Jezebel, diretora da fictícia fábrica de chocolates
Bombom, recebia a chave da cidade pelas mãos do prefeito Vivaldo,
personagem de Fúlvio. “É difícil a gente não se divertir com a direção
do Jorge Fernando. Estamos temperados com um texto ácido, ao mesmo tempo
lambuzado de chocolate”, filosofa Elizabeth.
Apesar das constantes gargalhadas dos atores e do diretor, Jorge
Fernando não conseguia esconder seu nervosismo ao perceber que a noite
estava chegando e que ainda teria uma enorme cena que deveria ser
gravada à luz do dia. Numa das interrupções das cenas, entre um pedido e
outro ao câmara que comandava uma grua, Jorge chegou a se irritar
sutilmente com dezenas de figurantes amontoados ao redor do carro onde
uma das cenas era gravada. “O que é essa parede humana que se formou? Se
mexam, andem!”, berrava, esbugalhando os olhos.
Enquanto a equipe técnica rebolava para dar andamento às cenas, os
atores e figurantes se divertiam mesmo com as peripécias da pequena
Sarah Maciel, a atriz-mirim de apenas oito anos, que vive a Bernadete na
primeira fase da trama - que vai até a terceira semana. Bernadete, a
conturbada “filha” da arrogante e afetada Jezebel, na verdade é um
menino criado como se fosse uma menina. Na segunda fase, quando se
passam sete anos e a trama pula do início para o final dos anos 20, ela
será interpretada por Kayky Brito, que alongou as madeixas para o papel.
“Ela é uma peste. Arranca as cabeças das bonecas, brinca de carrinho e
apronta muito. Mas nem sabe que é um menino”, adianta a serelepe Sarah,
pouco antes de dar um chute na canela do prefeito Vivaldo, personagem de
Fúlvio Stefanini, numa das seqüências da gravação.
Fúlvio, aliás, chegou a ficar com a garganta irritada de tanto que
berrava na cena em que o saliente prefeito presenteava Jezebel com a
chave da cidade, após um longo discurso de ensurdecedores decibéis.
Lília Cabral, que vive a vilã e primeira-dama Bárbara, se divertia
tapando os ouvidos. “Só rindo muito para espantar o frio que está aqui.
Estou congelando”, balbuciava a atriz, esticando o figurino dos anos 20,
composto por luvas, chapéu e o inconfundível charme da época, refletido
no visual de todo o elenco e figurantes.
Dentre algumas cenas gravadas na fictícia Praça Nossa Senhora das
Graças, que abriga grande parte do comércio de Ventura - o mercado
municipal, a Fábrica Bombom, o Hotel Ventura, a Mercearia Bom Achado e a
prefeitura, entre outros -, se destacavam as expressões hilariantes de
um trio de vilões. Ernani Moraes, Cláudio Corrêa e Castro e Fúlvio
Stefanini, que vivem respectivamente o delegado Terêncio, o banqueiro
Conde Klaus e o prefeito Vivaldo, são os atrapalhados “malfeitores” da
cidade, sempre metidos em confusões. “Eles sempre cortejam o Ludovico, o
dono da fábrica de chocolate e também dono da grana na cidade”, avisa
Ernani, confiando o típico bigodinho do personagem.
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